11/12/17
 
 
Filipe Baptista 24/08/2017
Filipe Baptista

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Nha terra

A maior riqueza ou recurso de Cabo Verde são as suas gentes e a determinação com que transformam as adversidades de um arquipélago que pouco lhes oferece

São um total de cerca de 4000 km2 dispersos por dez ilhas e que albergam pouco mais de 550 mil habitantes. Cabo Verde é um país fascinante, rico em cultura e embelezado pelas suas gentes: afáveis, alegres e lutadoras.

Será, provavelmente, o país da CPLP com menos recursos, mas ainda assim o que mais tem crescido e se tem desenvolvido, mesmo quando comparado com outros países fora do contexto lusófono.

Esta semana passeia-a por aqui, preparando a implementação de um dos principais projetos da ARCTEL-CPLP (a Associação dos Reguladores de Comunicações da CPLP): o projeto das Aldeias Sustentáveis para o Desenvolvimento (SV4D na sigla inglesa).

A génese do projeto é bastante simples. Assenta em dois conceitos básicos: por um lado, levar conectividade e acessibilidade à internet de banda larga em locais sem cobertura ou com cobertura deficitária; e, num segundo plano, universalizar o uso das TIC como vetor essencial para o desenvolvimento humano, social e económico.

Dos nove países da CPLP, em Cabo Verde, estou seguro, o sucesso do projeto não é questionável. Cabo Verde demonstrou ao longo dos últimos anos que é possível desenvolver, crescer e ter sucesso mesmo quando a terra não nos dá riqueza.

No último relatório do IDH, Cabo Verde apareceu em 122.o lugar num total de 193 países; no entanto, na minha opinião (que vale o que vale), muito abaixo do seu verdadeiro potencial e bastante penalizado por indicadores económicos como sejam o PIB e a Paridade do Poder de Compra.

Quando observados outros indicadores, como o nível de alfabetização ou de escolaridade, Cabo Verde dispara para valores que envergonham muitos países do globo.

A maior riqueza ou recurso de Cabo Verde são as suas gentes e a determinação com que transformam as adversidades de um arquipélago que pouco lhes oferece, mas de onde retiram quase tudo.

É um gosto falar com este povo, admirar a sua cultura e criatividade, e assimilar o otimismo e a resiliência com que enfrenta a vida.

Os seus governantes e quadros dirigentes demonstram grande visão e sabem para onde este país tem de caminhar.

No setor das TIC desenvolveu competências com as quais ombreia com grandes empresas do setor, estando em curso o desenvolvimento de um dos mais modernos parques tecnológicos de África, o qual integra, para além de um grande data center, um polo para promoção do empreendedorismo e negócios ligados à economia digital. Na energia tem já hoje cerca de 30% do que consome assentes em energias limpas e espera, até 2020, atingir os 50%, assumindo-se já como líder mundial na vertente eólica.

No turismo tem vindo a diversificar e a mostrar que há mais oportunidades do que o turismo de massas da ilha do Sal – são constantes os cruzeiros que atracam no porto da Praia e as restantes ilhas apostam numa oferta diferenciada e de qualidade.

Apresenta uma rede viária invejável para a maioria dos países africanos e tem vindo a apostar cada vez mais no desenvolvimento de outras infraestruturas-chave, como sejam os portos e aeroportos.

Não tenho quaisquer dúvidas de que Cabo Verde será, antes de atingirmos a metade deste século, a grande referência de desenvolvimento em África. Uma terra maravilhosa que, por momentos, foi nha terra também.

 

Escreve à quinta-feira

 

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