24/9/18
 
 
José Paulo do Carmo 12/01/2018
José Paulo do Carmo

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As “migas” que me tiram do sério

Tu que usas a expressão “miga” para chamares de forma exclamativa as tuas supostas amizades e que quando o fazes dás um certo “jeito” ao lábio que sinceramente não consigo descrever ao mesmo tempo que contorces as sobrancelhas e terminas com um “pah” assim mesmo com “h”no fim. 

 Que olhas para alguém e comentas que é “fofo” ou “fofinho” sem sequer lhe teres “afiambrado o dente” e que quando passa um rapaz interessante dizes “que pão!”. Que usas um “amo a ti” quase a fazer beicinho para o teu namorado ou marido (pior ainda !)e lhe chamas “pequenino” ou “damo”. Pára por favor. Mas pára agora mesmo que já ninguém te aguenta.

Não morre nenhuma baleia no Ártico nem nenhum macaco na floresta por causa disso mas o efeito que esse tipo de expressões têm na sociedade é quase tão nocivo quanto o napalm. Espalha-se e propaga-se tipo praga. Irritantemente devastadoras, corroem por dentro, transforma-nos em seres ainda mais impacientes e intolerantes. Percebo que não percebas mas acredita em mim, as pessoas falam mal contigo por causa dessas expressões ridículas, não há paciência para ouvir essa retórica parola. O único que tem direito a ser bimbo é o pão de forma que o assume “com muito gosto”, fresco e fofo. Vou-te explicar, migas são um prato tipicamente português feito à base de pão ou batata, pão esse que não tem pernas nem abdominais por muito que confundas as coisas. 

Não é simpático , nem tão pouco querido. As pessoas não querem ouvir isso. Se reparares bem à tua volta vais perceber que há sempre alguém a revirar os olhos ou com cara de gozo cada vez que falas dessa forma. Se isso não acontecer é ainda mais grave , significa que o contágio está feito e o vírus espalhado. Não há nada que faça mais ruído do que um grupo dessas tuas “migas” histéricas que vão usando derivações à medida que vão ganhando confiança umas com as outras e sem darem por isso (e, mais grave ainda, sem o resto da sociedade ter sido consultada) ja estão no “quiduxo” ou no “fofuxo” e muitos outros “uxos”. Isso estraga o dia de uma pessoa, é poluição sonora. Ninguém em condições te acha interessante ou sequer romântica por usares essas expressões. São só ridículas. Não fazem sentido, são inestéticas. Deviam ser alvos de processos disciplinares com proibição total de o voltarem a reproduzir.

Ao nível disso há os “sócios “ com o “ó” bem aberto prolongado e de preferência a mastigar uma pastilha de boca bem aberta ou os “bacanos” com tom fechado e som grave e acasalado. Vocês deviam viver todos num condomínio fechado , tão fechado que as “migas” e os “sócios “ só se pudessem relacionar entre eles e assim só se estragavam metade das casas. Pior ainda quando forças o uso dessa gíria fazendo um movimento parecido a um “corcunda” acompanhado de gestos com as mãos, alguns que fariam corar de vergonha o melhor dos contorcionistas. Eu sei que têm todos um “Swag” “TOP” , que se riem com um “Rofl” ou com um “lmão” mas, por favor, Menos. 

Por isso por favor , para teu bem e para o bem da comunidade tenta falar português e pede a quem tenha sensibilidade para o assunto que te explique que há “palavras” que não te trazem nada de bom e te vão catalogar ao nível do rating a que a economia portuguesa estava reduzida até ha bem pouco tempo ( se não perceberes Google it ). Vá lá agora um pouco mais a sério , não é bonito e não te fica nada bem. Sei que até és “fofa” e que vais ficar triste ao ler isto mas senão ouvires as verdades nunca vais perceber o mal que fazes ao Mundo e o quanto periga a tua vida. As pessoas andam intolerantes e agressivas hoje em dia , não vale a pena “cutucar a onda com vara curta”. “Ok doce?” Beijufas e Crush.

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