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Manif. “Não é por não ter visto que não sou alguém”

Manif. “Não é por não ter visto que não sou alguém”

Nuno Ramos de Almeida 14/05/2018 13:22

São mais de 30 mil imigrantes que trabalham nos nossos campos, nas obras, nas nossas casas e em muitos outros empregos. Descontam, muitos deles, há anos para a Segurança Social, não têm autorização de residência e vivem sob a ameaça de serem expulsos. Nesta segunda-feira, às 10 horas da manhã, manifestam-se em frente da Assembleia da República e reivindicam papéis para quem cá vive e trabalha. Defendem que se são bons para cultivarem os campos e produzirem riqueza em Portugal, também são bons para poderem ser legalizados.

Quer visitar os pais
Chama-se Ramesh Mainali, trabalha num restaurante. Este jovem nepalês desconta para a Segurança Social há mais de 30 meses. Vai à manifestação, quer ter o direito de viver legalmente no país onde trabalha, e assim poder visitar os pais na sua terra, sem medo. 

O homem que colhe framboesas
Saravjit Singh é indiano, deixou duas filhas com 12 e 10 anos, para vir trabalhar em Portugal Apanha framboesas no Algarve. É um dos muitos imigrantes que garantem, com o seu trabalho, a agricultura em Portugal. 

A estudante
Raquel Froes é brasileira. Faz na FCSH um mestrado sobre migrações e movimentos transnacionais. É ativista da Solidariedade Imigrante. Como brasileira, tem consciência da imagem deturpada que as pessoas têm dos imigrantes, a quem muitas vezes não reconhecem o direito de pensar. Acredita que a manifestação pode ajudar a resolver problemas. 

O teatro do oprimido
É ativista da Solidariedade Imigrante, filha de pais cabo-verdianos, tem a nacionalidade portuguesa. O ativismo mostrou-lhe que para mudar as coisas é preciso ter voz. Participa no Teatro do Oprimido, fundado pelos ensinamentos de Augusto Boal, que permite a democratização do teatro. Para Belinha, a manifestação tem o mesmo princípio: dar voz a quem não tem voz e ajudar a mudar uma situação injusta. “É preciso que os artigos da lei sejam bem usados para legalizar quem cá está.” 

A jovem de katmandu
Vai tentar ir à manifestação. Tudo depende do seu trabalho. É empregada doméstica. Trabalha há um ano. Em Katmandu ficaram o pai, a mãe e a irmã. Por receio, como muitos imigrantes, não quis uma fotografia da cara. Alice Tamang acha que Lisboa é muito diferente de Katmandu. “São duas cidades bonitas, mas Lisboa é menos poluído.” O seu desejo é conseguir os papéis de residência. 

O publicista
Escreve o seu nome guineense com orgulho. Desenha caprichosamente as letras: Samba Seide. Está cá há dez anos. Tem uma filha com 14 anos. Distribui publicidade e paga à Segurança Social há 24 meses. Não sabia da manifestação. Está a trabalhar, não vai poder participar. Há anos que tenta legalizar-se. 

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