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Sono. Dormir é meio sustento

Sono. Dormir é meio sustento

Shutterstock Beatriz Dias Coelho 16/05/2018 20:35

Já diziam os nossos avós: “dormir é meio sustento”. A ciência mostra que assim é e que dormir bem influencia a saúde em geral, mas dormir só não basta... há critérios a cumprir

01. Dormir pouco pode potenciar o risco de Alzheimer 

Um estudo de investigadores norte-americanos publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” veio confirmar uma suspeita de longa data: a falta de sono pode estar ligada ao aparecimento da doença de Alzheimer. Tudo porque dormir pouco leva ao aumento da beta-amilóide, a proteína que se acumula em placas no cérebro de doentes de Alzheimer. Segundo o estudo, perder apenas uma noite de sono resulta num aumento imediato desta proteína. Os investigadores fizeram TACs a 20 indivíduos saudáveis, com idades compreendidas entre os 22 e os 72 anos, depois de uma noite de sono e depois de estarem acordados há cerca de 31 horas. As tomografias realizadas depois do período de privação de sono revelaram que a beta-amilóide aumenta cerca de 5% em zonas do cérebro especialmente vulneráveis a danos nos primeiros estágios da doença de Alzheimer.  

02. Uma explicação para a obesidade infantil? 

Já se sabia que a qualidade de sono tem influência no aparecimento da obesidade em adultos, mas um estudo da American Association for Cancer Research veio mostrar que o mesmo se verifica nas crianças. Neste estudo participaram 120 crianças com uma média de idades de oito anos. Para vigiar o ciclo de sono, as crianças usaram acelerómetros durante 24 horas, por um período de, pelo menos, cinco dias. Para medir hábitos de alimentação, fizeram um teste em que tiveram de comer sem ter fome. Faziam uma refeição e avisavam os investigadores quando ficavam cheias. Os investigadores, por sua vez, registaram a quantidade de comida que as crianças tiveram de comer para ficarem saciadas e descobriram que um ciclo de sono mais pequeno, medido em horas, está associado a um índice de massa corporal mais elevado. 

03. Dormir menos de oito horas aumenta a probabilidade de depressão e ansiedade

Se tem pensamentos negativos de forma repetitiva, talvez não durma o que devia dormir. Um artigo de uma equipa de investigadores da Universidade de Binghamton (EUA), publicado na revista “Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry”, revelou que dormir menos de oito horas por noite está associado ao tipo de pensamentos atribuídos aos estados de ansiedade e depressão. Os participantes do estudo foram expostos a diferentes imagens com o objetivo de provocar uma resposta emocional e os investigadores seguiram a atenção dos participantes a partir dos movimentos dos olhos. A principal conclusão da equipa revelou que interrupções regulares de sono estão associadas à dificuldade em desviar a atenção de informação negativa. Isso pode significar que a falta de sono desempenha um papel importante na permanência de pensamentos negativos.

04. Passear pode ajudar a resolver os problemas de sono 

Um artigo publicado na revista científica “Current Biology” revela que a solução para quem tem problemas de sono pode estar em passear mais ao ar livre e aproveitar o sol. Tudo está relacionado com o ritmo de vida atual, defendem os investigadores da Universidade de Colorado Boulder, nos Estados Unidos: contribui para um ritmo circadiano – período de 24 horas que corresponde ao ciclo biológico dos seres vivos e que é influenciado por inúmeros fatores, como a variação da luz ou a temperatura – tardio, que pode contribuir, em conjugação com uma noite mal dormida, para a sonolência. O estudo sugere mesmo que um fim de semana no campo pode ser uma estratégia indicada para acalmar e, assim, reajustar o relógio biológico, dormindo, consequentemente, melhor. 

05. Dormir com alguém que ressona não é saudável... 

Dorme com alguém que ressona? Então pode estar a fazer mal à sua saúde. Um estudo com o objetivo de perceber os efeitos do barulho dos aviões no sono de quem mora perto de aeroportos mostrou que o simples ruído do ressonar tem consequências na saúde. Realizado pelo Imperial College London, a investigação revelou que o ruído enquanto se dorme afeta a pressão sanguínea e pode, consequentemente, aumentar o risco de hipertensão, AVC, doenças renais ou demência. No estudo, que avaliou 120 participantes, os investigadores descobriram que a pressão arterial aumenta significativamente depois de um “episódio de ruído” que registe uma intensidade superior a 35 decibéis, como o ressonar do parceiro. 

06. Dormir mais traduz-se numa menor ingestão de açúcar

Um estudo publicado no “The American Journal of Clinical Nutrition” mostrou que as horas de sono estão diretamente relacionadas com o consumo de açúcar. A investigação, do King’s College de Londres, contou com a participação 42 adultos que dormiam cinco a sete horas e levou-os a dormir hora e meia por noite. A metade dos participantes foi pedido que melhorassem a qualidade de sono através de mecanismos como, por exemplo, não ir dormir com fome, enquanto à outra metade não foi dada nenhuma indicação. Dos participantes a quem foram dadas instruções, 86% atingiram o objetivo – e reduziram também o consumo de açúcar diário em 10 gramas. Quanto aos outros, tudo se manteve igual. 

07. Não usar o telemóvel antes de dormir é meio caminho para uma noite descansada 

Uma equipa de investigadores da Universidade John Carroll (EUA) concluiu que a luz azul nos ecrãs dos smartphones ou tablets trava os ritmos circadianos do corpo, uma vez que provoca a suspensão da produção de melatonina – uma hormona envolvida no processo do sono. A melatonina, especialmente produzida durante a noite, induz o sono, e a diminuição da sua produção pode potenciar obesidade, doenças cardíacas, diabetes, depressão e até cancro. Ainda assim, outros investigadores há que defendem que, se o smartphone ou o tablet estiver a 30 centímetros do rosto, a noite de sono não se ressentirá. 

08. Dormir bem pode resultar em melhores relações sexuais 

Sabia que dormir bem equivale a relações sexuais mais satisfatórias? A conclusão é de uma investigação da Universidade da Florida (EUA). Segundo os investigadores, as duas ‘atividades’ estão interligadas e não é só por ambas estarem frequentemente associadas ao quarto. Um em cada três norte-americanos adultos dorme horas insuficientes, ao mesmo tempo que 31% dos homens e 45% das mulheres não estão satisfeitos com a vida sexual – algo que, de acordo com os investigadores, espelha um ciclo: relações sexuais insatisfatórias resultam em noites de sono mal dormidas e noites de sono mal dormidas potenciam a diminuição do desejo sexual. 
 

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