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Santana. Novo partido ou aliança de forças com a Democracia 21?

Santana. Novo partido ou aliança de forças com a Democracia 21?

Diana Tinoco Cristina Rita 09/08/2018 08:45

Antigo primeiro--ministro avalia nova solução partidária já esta semana. Movimento disponível para várias soluções, até alianças com o também ex-líder do PSD

Pedro Santana Lopes desvinculou-se do PSD para preparar a criação de um novo partido. Esta semana reúne-se novamente com o movimento Democracia 21 e aí se perceberá que se o antigo primeiro-ministro pretende integrar a equipa de Sofia Afonso Ferreira ou não. Em cima da mesa estarão várias hipóteses, “até unir esforços”, como frisou ao i a fundadora do movimento que aponta setembro como meta para formalizar o pedido de criação do seu novo partido no Tribunal Constitucional.

A reunião só ficou agendada depois de Santana Lopes se ter oficialmente desvinculado do partido a que pertenceu durante 40 anos. Uma decisão difícil para o também ex-líder social-democrata. Ao Observador, Santana insistiu que vai criar uma nova força política mas afastou a hipótese do nome ser Partido Social Liberal.

O também ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia manteve contactos com vários movimentos nas últimas semanas, antes de ir de férias. Tal como i avançou, a primeira conversa com a Democracia 21 correu bem e teve lugar mal Santana Lopes anunciou a intenção de sair do PSD, no início de julho.

No PSD há quem desvalorize a sua saída, mas duas fontes partidárias confidenciaram ao i que a direção de Rui Rio deveria ter feito alguma coisa para travar a saída. “Podemos perder votos”, admitiu um deputado sob anonimato, alinhando na tese do comentador televisivo Marques Mendes. “Ambos vão perder”, defendeu o conselheiro de Estado na SIC, no domingo. “Acho que vai perder o PSD, o centro-direita e o próprio Santana Lopes”, insistiu Mendes, alertando para o facto do ex-provedor da Santa Casa poder roubar votos aos sociais-democratas, sobretudo nas eleições europeias de maio de 2019.

 

um partido em reflexão. O líder do PSD entrou oficialmente de férias, mas o partido não. A entrevista do antigo líder da JSD, Pedro Duarte, ao “Expresso” – a anunciar que está disponível para concorrer à liderança – sinalizou o momento de reflexão e expectativa sobre a mudança de estratégia de Rui Rio, sobretudo na aproximação ao PS. Entre os críticos da atual direção, a expectativa é a de avaliar se Rio percebeu o recado sobre a necessidade de mudança. Uma fonte partidária bem colocada disse ao i que “não existe nenhum movimento organizado” contra Rio. Por agora.

“Teremos o discurso do Pontal a 1 de setembro e a rentrée em Castelo de Vide, a 9 de setembro”, realçou outra fonte partidária. Contactado pelo i, Pedro Duarte “nada quis acrescentar” sobre os seus planos futuros.

Pedro Rodrigues, antigo líder da JSD e porta-voz do movimento interno Portugal Não Pode Esperar, considera que o anúncio de disponibilidade de Pedro Duarte “é extemporâneo” até porque não ocorreu nenhuma “situação excecional” desde a tomada de posse de Rio. Contudo, tal como já tinha dito ao “Público”, “a disponibilidade manifestada por Pedro Duarte revela a enorme vitalidade do PSD”. Pedro Rodrigues aguarda que o seu colega de partido diga “qual é o seu programa e o que mudou de tão excecional” nos últimos cinco meses para a decisão do também antigo secretário de Estado da Juventude. E nem espera outra coisa de Pedro Duarte. Caso contrário seria “um episódio de silly season”.

Para o porta-voz do movimento interno Portugal Não Pode Esperar a prioridade é a revisão dos estatutos do PSD. O debate está marcado para o próximo conselho nacional do partido de 12 de setembro, altura em que as propostas serão submetidas a votos. O responsável defende que é “preciso abrir o partido à sociedade civil”. Para o efeito existe um debate interno para introdução, por exemplo, da escolha de candidatos a deputados e a eurodeputados através de voto eletrónico. A medida incluiria, por exemplo, militantes mesmo sem as quotas em dia. Ao i, Pedro Rodrigues reconhece que “a introdução destas alterações a sete ou oito meses de eleições podem causar dificuldades quanto à sua exequibilidade”. Mas exortou o partido a fazer a reforma.

E se Pedro Duarte ainda não esclareceu como pretende assumir os destinos do PSD, o calendário para tentar derrubar Rio não poderá ultrapassar o Natal. Se o PSD quiser mudar de líder e de estratégia, terá de ter a casa arrumada em janeiro de 2019. Em maio realizam-se as eleições europeias e em outubro será a vez das legislativas. Mas, o ex-líder parlamentar do partido, Luís Montenegro, que já se assumiu como potencial candidato, deixou claro numa entrevista à SIC que não será por ele que se fará um congresso antes de 2019.

Na direção do PSD a ordem é para não comentar as movimentações internas.

 

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