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Rosinha. “Há pessoas que acham que ajudo a abrir mentalidades”

Rosinha. “Há pessoas que acham que ajudo a abrir mentalidades”

Miguel Silva Mariana Madrinha 09/08/2018 15:44

Só este ano, além da tournée na Europa, Rosinha já atuou na Namíbia, Canadá e Austrália. Mas noutros anos também foi aos EUA e ao Brasil

Rosa Maria, Rosinha, é bem mais alta do que antecipávamos. Tem 47 anos bem cuidados - quando não está a tocar fora do país, não dispensa o ginásio. Só este ano, já atuou na Namíbia, Austrália, Canadá e correu a Europa. Mas nos meses de verão é raro o dia em que não está nas estradas portuguesas, para dar vazão a uma lista de concertos que se colam uns aos outros. Fomos encontrá-la em Sarilhos Grandes, num dos poucos dias de folga, onde nos recebeu na produtora com quem trabalha, a País Real. Eis Rosinha, a acordeonista de Pegões que se levantava as 5h30 da manhã para ir para as aulas, que continua a morar na terra onde nasceu com os seus porcos e galinhas, a mulher que até pôs as tias de Lisboa a cantar “Eu Levo no pacote”. “Nos Santos Populares são sempre as mais divertidas”, confidencia, enquanto posa bem disposta para as fotografias. Entre dois dedos de larachas, a conversa vai parar a um dos seus discos, “Tenho um andar novo”. A resposta sai disparada: “Tinha, já vai há uns anos, entretanto já fiz obras e tudo...”

Quanto tempo é que se demora a arranjar para atuar?

Rapidinho. Meia hora, dá perfeitamente para trocar de roupa e montar a Rosinha: o baton sempre com uma cor viva, os óculos, um brilhozinho, um vestidinho com cor e normalmente com pouco tecido. Sempre roupinhas mais curtas, é disso que as pessoas estão à espera e é isso que reconhecem. 

E de onde veio a ideia dos óculos?

Veio simplesmente de um problema que tenho. No olho direito não tenho a membrana que protege da luz. É uma necessidade. As pessoas acham que poderia ser mais um adereço. Neste caso não é. 

E é a Rosa que escolhe a roupa da Rosinha?

Também, mas sempre em parceria com a equipa do País Real. Se eu não me sentir bem na roupa que visto não consigo disfarçar que não estou confortável, então temos um trabalho durante uns diazinhos para ver o que eu gosto e não gosto e o que se adapta também àquele ano, às tendências, e também ao disco em si. 

E já aconteceu não se sentir confortável?

Já. E troquei.

Mas parece esbanjar segurança.

Quando eu digo desconfortável falo na altura das experimentações, depois de escolhida não. 

Quais são as principais diferenças entre a Rosinha e a Rosa Maria? 

A maior e a mais significativa e praticamente a única é que a Rosa não veste saias, jamais! Não tenho uma saia no meu roupeiro. Terei dois, três vestidos talvez, sei que tenho um até aos pés que acho que vesti uma vez e tenho dois que acho que nunca usei.

E em termos de personalidade?

Aí não há muitas diferenças... (risos) Às vezes as pessoas acham, e eu aceito, claro, que a Rosinha é uma personagem montada, uma personagem estudada para que o resultado seja aquele que as pessoas veem em palco ou na televisão. Pois meus amores, lamento desiludir-vos, não é nada disso. Sou mesmo assim (risos). É óbvio que não estou a brincar com as palavras 24 horas por dia, 365 dias por ano. Não faço isso, mas se calhar faço 12 horas por dia, ou 13 ou 14, e 300 dias por ano.

Foi sempre assim desde criança?

Sempre fui assim. A minha mãe diz: “Tal e qual o pai dela”. O meu falecido pai tinha muita facilidade em responder. A minha mãe fala imenso, tal como eu, ou melhor, eu é que sou como a minha mãe. Falamos imenso e o meu pai era muito fácil na resposta e, normalmente, em deixar alguém atrapalhado na contra resposta. 

É uma característica de família, então. 

Pois, parece que sim. Eu não me apercebia disso, sei lá, sempre fui assim, não notava que era uma característica, seja ela boa ou má. Depois da Rosinha é que as pessoas começaram a dizer-me: “Respondes muito rápido” e “como é que tens sempre resposta?” E eu: “Pois não sei, mas não é normal ser assim?”. 

 

Então a Rosinha junta o acordeão, uma das suas grandes paixões...

Sim, desde miúda.

... Com a essa sua faceta mais à vontade e mais respondona.

Seria difícil, imagina, se eu estivesse noutro género de música.

E alguma vez tentou outro género?

A Rosa Maria fez bailes durante muitos anos e os acordeonistas, como é o meu caso, têm que interpretar vários tipos de música, vários géneros, porque as pessoas vão para lá dançar e querem dançar um bocadinho de tudo. E nessa época sim, claro que cantarolava e tocava tudo o que conseguia aprender e que as pessoas me pediam para aprender, porque as pessoas são muito exigentes nos bailaricos, parecendo que não. E em relação à Rosinha... A Rosinha é a Rosinha, ponto. Enquanto Rosinha brincarei sempre muito com o nosso português que é fantástico, dá-se muito a isso, serei sempre muito animada, sendo que, como disse à pouco, a única diferença entre as duas é que eu cantava covers antes e agora canto originais. Mas já na altura dos covers... trocava ali umas coisinhas para aquilo ficar melhor, achava eu (risos). 

Estudou acordeão durante quanto tempo?

Comecei aos dez anos, na escola de música. Sou de Pegões e abriu uma escolinha e eu, como toda a miudagem, quis saber o que se passava. Como já tinha uma paixonite pelo acordeão, isto sendo eu uma miúda nascida no campo, o contacto mais direto que tinha seria com os grupos de baile e com os ranchos folclóricos da região. E aquele som do acordeão despertava-me interesse. Quando fui à escola juntou-se o útil ao agradável: então não é que havia acordeões? Então aos dez anos comecei a aprender. Durante os primeiros anos em Pegões, depois fui tirar o curso de música para o Instituto Matono em Lisboa, portanto ainda foram mais seis aninhos.

E ia todos os dias para lá?

Não, era aos fins de semana. Durante a semana vinha para a escola, a secundária do Montijo, o normal, e ao sábado de manhã levantava-me as 5h30 da manhã e ia para Lisboa (risos). 

Era mesmo por gosto.

Era. Que eu saiba na altura fomos 40 e poucos miúdos para música e a única pessoa que continua com a música sou eu.

O seu acordeão tem algum nome?

Tem, é a minha gaita (risos). Não devias ter perguntado, perguntaste e eu disse! Já toco na gaita desde miúda (risos).

 

Já se sentiu alguma vez desrespeitada em palco?

Não, nunca. Primeiro as pessoas quando vão a um espetáculo da Rosinha sabem ao que vão, obviamente que as pessoas podem saber o refrão de uma ou outra música e não saber que todo o espetáculo é nesse sentido de muita brincadeira e diversão, e muita malandrice, resposta, conversa e gargalhada. Tento que os meus espetáculos sejam sempre assim e [as pessoas] podem ser surpreendidas, não digo que não haja pessoas que ficam surpreendidas pela positiva e outras que afinal digam que não gostam tanto. Isto quanto a gostos não podemos discutir, não é? Mas nunca ninguém foi desagradável comigo. O que é interessante é que tento sempre que haja um elo de ligação entre o palco e o público. Eu não sou uma caixa de música e gosto muito que haja interação entre as pessoas e o palco. E normalmente as pessoas brincam comigo com os nomes das minhas músicas, é fantástico. Ainda esta noite passada aconteceu.

Conte. Onde esteve?

Em Ançã, na região de Cantanhede, nas festas anuais. Há músicas que peço às pessoas para cantarem comigo: a música acaba, e eu só com o acordeão continuo. Faço sempre uma brincadeira com o “Eu chupo”, [digo] “vamos lá ver quem é que chupa melhor, quem é que chupa mais”, se são os senhores ou as senhoras. Normalmente, nós mulheres ganhamos sempre, temos mais prática no assunto. E estava lá um senhor que achei imensa piada, que disse: “Eu não chupo, eu sou contra e não vou cantar nada disto”. E depois diz: “Só no cigarro”. “Ah, no cigarro, meu amigo... Tinha um lá assim em casa, pu-lo na rua. Um homem que não chupa não é... O amigo tem que chupar nem que seja no copo da cerveja”. E ele: “Ah, afinal também chupo!”. Há sempre brincadeiras. Normalmente brincam muito com a música do pacote, “Eu levo no pacote”. Essa então, regra geral... E normalmente há uns cartazesinhos: “Rosinha eu também levo no pacote”, “Rosinha dá-me o teu pacote”, há isso.

Continua a ser o seu hit, a música que as pessoas mais reconhecem?

Quem vive da música, das cantorias, destas coisas, tem sempre - e é muito bom que isto aconteça - pelo menos uma música que se associa àquela pessoa, sempre. E, sem dúvida, eu sei que poderei até chegar aos cem anos e vou ter sempre que levar no pacote. É certo e garantido. 

Já que fala nisso... Vê-se a fazer isto para sempre ou pensa mudar de vida?

Farei isto enquanto as pessoas se divertirem com as coisas que faço e enquanto eu me divertir com aquilo que faço. Amo aquilo que faço, vivo o que faço, e costumo dizer que isto é uma brincadeira, as músicas são para brincar, mas é a brincadeira mais séria que eu já tive em toda a minha vida, sem dúvida alguma. Levo muito a sério o meu trabalho por um motivo muito simples: as pessoas merecem. Se as pessoas me acolhem nos espetáculos, e ouvem as minhas músicas e estão na minha página de Facebook e Instagram todos os dias a mandar mensagens, beijinhos de bom dia, de boa noite, todos os dias do ano... Tenho que ter muito respeito por aquilo que faço por essas pessoas, porque só existo porque elas permitem que eu exista. Nunca, mas nunca na vida poderei pagar de forma alguma o carinho que essas pessoas têm por mim. Posso dizer que ontem quando cheguei à festa fui cumprimentar a equipa técnica e vem um grupo de jovens pedir para tirar fotografias. Há uma menina que está a chorar muito, e vem uma jovem, mas mais adulta, abraçada à menina e eu pensei: alguma coisa grave aconteceu. Ela nem falava, estava a soluçar porque eu tinha tirado uma fotografia com ela. E eu fiquei: “Como é que é possível? Quero é que te rias muito, não é que chores!”.

Alguma vez achou que ia ter essa aceitação e carinho do público com o tipo de letras que canta?

O Paquito, o meu produtor, já me tinha convidado para outros projetos por ser mulher e acordeonista, que finalmente ficou na moda já que durante muitos anos foi muito ingrato e um instrumento menor. E ele foi-me convidando para projetos e eu fui declinando, até que em 2006 ele me convida para este projeto - e ainda hoje estou para descobrir onde é que ele foi buscar isto. “Rosa, tu tens uma grande lata, e eu acho que isto tem tudo a ver contigo. O acordeão, muita brincadeira.” Ouvi algumas letras e disse “ok, vamos gravar, se correr bem tudo bem, se correr mal tudo bem na mesma”. Certo é que foi disco de ouro e depois de platina.

Esse primeiro disco foi logo o do pacote?

Não, foi o “Com a Boca no Pipo”. Depois “O Meu Amor só Quer é Fruta” e o terceiro “Eu Levo no Pacote”.

Que foi a consagração, então. 

Foi a que mais ficou no ouvido, a mais orelhuda como dizemos na gíria. 

 

O que fazia profissionalmente antes de se dedicar a isto, à Rosinha?

Música. Nunca fiz outra coisa na vida.

Tem ideia de quantos espetáculos faz por ano, neste momento?

Muitos. Não sei precisar, mas sei que faço muitos espetáculos, sendo que o verão cá a partir de maio, começando com as festas académicas dos estudantes, basicamente já não saio de Portugal até outubro, quando há depois também as festas da receção ao caloiro. E depois [de outubro] até maio, sensivelmente, já começo a fazer o périplo pelos nossos emigrantes por esse mundo fora. Este ano tive uma agradável surpresa e pela primeira vez fui atuar a África. Fui até à capital da Namíbia, a seguir fui para a Austrália, Canadá e o normal da nossa Europa, este ano não fui aos EUA. Mas vou ao Brasil também, de vez em quando.

Qual foi o sítio, fora de Portugal, que a marcou de alguma maneira?

Sinceramente, o que gostava muito e que nunca imaginei que iria, era à Austrália, confesso. Nem nos meus sonhos mais remotos. Fui tocar para uma comunidade portuguesa. Mas todos os locais são especiais, principalmente as primeiras vezes, porque eu sou a Rosa dali de Pegões, que passa a vida com os seus porcos, as suas galinhas, os seus pássaros, as suas tartarugas. A minha vida é isto.

Continua a morar em Pegões?

Sim! Sempre estive ali e é realmente o meu sítio. Como é possível eu ser de Pegões para o Canadá, EUA, Brasil... 

Vamos então falar das letras: como surgem as ideias? É a Rosinha que escreve?

Não, eu não escrevo. Costumo dizer e é bem verdade: cada macaco no seu galho. Conheço o meu galho e dali não saio (risos). Limito-me a dar algumas ideias para temas, mas tenho noção de que se escrevesse uma letra do início ao fim não ia correr bem certamente. Daí a equipa Rosinha/Paquito. Ele sim, é o meu produtor desde a primeira frase ao primeiro acorde musical. Somos amigos das acordeonices, porque ele também é acordeonista desde as mesmas alturas. Enquanto eu sempre ansiei estar no palco, já o Paquito ansiava pelo estúdio, a produção, estar no cantinho dele.

São a dupla perfeita.

Exatamente! Reencontrámo-nos e no primeiro disco eu não opinei nada, foi completamente surpresa. A partir daí comecei a ter algumas ideias. As músicas são os assuntos mais banais que possamos imaginar.

Coisas do dia-a-dia?

Completamente do dia-a-dia! Ou alguma situação que eu viva, uma anedota que eu ouça, uma conversa em que alguém me diz uma frase ou palavra que tenha vários sentidos.

Consegue dar-me exemplos?

Este ano lancei o meu disco em maio, e em janeiro eu e o Paquito reunimo-nos para falar de ideias que cada um tinha. Falei-lhe de uma ideia que tinha já há uns dois ou três anos. A faixa número três do meu disco chama-se “Ele tem o pau a crescer”. Isto é uma anedota, e para ligar isto, para ter uma história normal, que tal o meu amor ganhar uma herança, uma herdade grande com eucaliptos e pinheiros? E na realidade todos os madeireiros têm o pau a crescer todos os dias, e se crescer muito melhor ainda. Este é um dos exemplos, mas há mais. “A enguia do meu amor” foi outro dos temas que pedi ao Paquito, mas aí não tinha uma ideia precisa de onde poderia seguir a letra. Só tive a ideia da enguia por ser um animal muito... dúbio (risos). Para além de comestível! 

Já lhe aconteceu alguma vez achar que a letra era demais e que não tinha esse tal sentido dúbio?

Acontece. Por exemplo, o Paquito compõe à noite e manda-me as letras ao início da madrugada. Já aconteceu eu ligar-lhe de volta e dizer: “Atenção, estás sentadinho no teu sofá a compor, mas quem vai para o palco dar o corpinho ao manifesto sou eu, por isso meu amigo muita calma nesta hora!”. Mas, às vezes, basta alterar uma única palavra ou frase na letra toda. Mas também já aconteceu o contrário, eu dizer “Paquito, isto precisa de um bocadinho mais de malandrice, de ser mais direto à piada a que queremos chegar”. Sem dizer nada, obviamente.

Ou seja, tem as suas fronteiras.

Claro que sim. Aliás, sendo eu mulher e cantando este género de músicas tenho fronteiras bem delineadas.

Como vê os movimentos feministas que se têm levantado nos últimos meses?

Obviamente que sou mulher, claro que sim, mas não sou extremista em nada na vida. Acho que as coisas, o mundo em geral, e falando como mulher, que o equilíbrio está no meio termo. Compreendo e aceito que às vezes temos que organizar várias lutas para chegar a esse meio termo. Mas tudo o que seja imposições e extremismos, seja em que assunto for, não apoio.

Alguma vez alguma mulher foi ter consigo e lhe disse que as suas letras podiam denegrir ou rebaixar as mulheres?

Não, por acaso não, até bem pelo contrário. E não foi uma mulher, foi um rapaz, um hippy, que portanto tem uma visão bastante diferente da nossa luta diária porque eles são bem mais peace and love. Achei imensa piada, isto foi agora, há poucos concertos atrás. Eu estava a dar uns beijinhos e ele por cima de várias cabeças, com a sua cerveja na mão, diz-me: “Rosinha, venho só dizer-lhe que você é uma inspiração para todas as mulheres. Você ajuda a abrir mentalidades. Eu não gosto das suas músicas, não curto, não ouço, mas acho que fazem falta mulheres como a Rosinha”. E foi-se embora. Achei fabuloso. Isto para te dizer que, na realidade, há gostos para tudo, há pessoas que acham que eu ajudo, entra aspas, com as minhas brincadeiras a abrir mentalidades como foi este caso e há de haver pessoas que acham simplesmente o contrário. Como disse no início da nossa conversa, faço com muito amor. Amo aquilo que faço, pagam-me ainda por cima, o que mais quereria eu? É assim que me sinto bem, sou isto e vivo isto. Na realidade, isto é a minha brincadeira, é através das palavras fazer com que as pessoas sorriam, batam palmas, deem um pezinho de dança. Não há nada melhor do que quando estou, por exemplo, a dar os autógrafos e ouço pessoas a conversar a sair do espetáculo e eu ouço este género de frases: “Que belo bocado que passei aqui!”. Isto é fantástico, porque foi exatamente para isso que eu fui lá. Para as pessoas darem umas gargalhadas e, possivelmente, esquecerem por um bocadinho algum problema.

Já lhe aconteceu o contrário, ver lá de cima do palco caras de pessoas indignadas?

Há aquele provérbio do primeiro estranha-se, depois entranha-se. No início, sendo eu mulher e a cantar este género de música, confesso que as pessoas ficavam... “o que é que ela está a dizer? Será que ela disse aquilo?”. E na realidade, o que é mais engraçado é que eu não disse! Cheguei à conclusão de que o problema está nos ouvidos de quem ouve e não na boca de quem diz. O problema está no facto de as pessoas só ouvirem os refrãos e não a história toda da música, que são coisas normalíssimas. Hoje em dia as pessoas já conhecem a Rosinha, sabem que é aquela malandreca que diz aquelas brincadeiras, por isso hoje em dia não.

Continua a ficar nervosa antes dos concertos?

Todos, todos, todos! São umas dores de barriga constantes. Mas só estou nervosa até à primeira música, subo ao palco, que é onde gosto de estar, e depois acabaram-se os nervos.

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