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Ultima Thule. Afinal não é um pino mas um boneco de neve

Ultima Thule. Afinal não é um pino mas um boneco de neve

Marta F. Reis 02/01/2019 21:17

Objeto celeste mais distante (e antigo) alguma vez sobrevoado é um sistema binário, um vislumbre dos primeiros blocos que formaram planetas. Cortesia da “máquina do tempo” New Horizons 

Tudo terá acontecido há 4,5 mil milhões de anos, nos primórdios da formação do sistema solar. Rochas de diferentes tamanhos giraram umas sobre as outras até que duas se aproximaram lentamente, ficaram coladas “como duas naves que acoplam” e assim permaneceram a “descansar” uma na outra, num ambiente gelado e praticamente na mesma posição, até hoje. 

A descrição foi feita esta quarta-feira pela NASA na segunda conferência de imprensa dedicada às observações do objeto celeste Ultima Thule, sobrevoado pela sonda New Horizons quando na Terra se festejava o Ano Novo. A equipa do Laboratório de Física Aplicada John Hopkins, responsável pela missão, revelou que afinal estão perante um sistema binário de contacto, com dois blocos. Depois de as primeiras imagens apontarem para um objeto com a forma do pino, o mais correto é falar de um boneco de neve, brincou Alan Stern, investigador principal. Porque os cientistas são pouco inventivos com as palavras, continuou, o corpo ficou a chamar-se “Ultima” e a cabeça “Thule”. Acreditam que será um testemunho único dos primeiros blocos que deram origem aos planetas e asteroides que conhecemos. “É o objeto mais primitivo alguma vez visto”, declararam os investigadores, dando imagens curiosas para a sua formação. Os dois blocos, praticamente esféricos, terão encostado um ao outro a uma velocidade de 1 ou 2 quilómetros/hora. “A velocidade a que estacionaríamos o carro. Se batessem a essa velocidade nem seria preciso preencher a declaração amigável.” 

A NASA acredita que as observações poderão revolucionar a ciência planetária, dando novas pistas sobre o desenvolvimento do sistema solar. E a equipa não se cansa de sublinhar a dificuldade da aproximação. “O Ultima Thule tem apenas o tamanho de Washington DC, é tão refletivo com a terra do jardim e está iluminado por um Sol que lhe chega 1900 vezes mais fraco do que num dia aberto aqui na Terra. Basicamente estávamos a persegui-lo às escuras a uma velocidade de 51 mil quilómetros por hora.” Até ao momento só foi processado 1% dos dados recolhidos: Ultima Thule terá poucas crateras e talvez colinas. E é vermelho, como Plutão.  

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