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Aplicações. Bem-estar foi a grande tendência deste ano

Aplicações. Bem-estar foi a grande tendência deste ano

Dreamstime Sofia Martins Santos 02/01/2019 22:22

Há muito tempo que aceitámos fazer do telemóvel um dos nossos melhores amigos. Está sempre connosco e o que não falta é quem não saiba viver sem ele. Por isso, nasceram aplicações para nos ajudar a fazer praticamente tudo. Este ano, as mais descarregadas serviram para nos ajudar a viver melhor

Os portugueses estão mais preocupados com a saúde e bem-estar e, por isso, investem mais em tudo o que consideram que ajuda a ter uma vida melhor. O ginásio, as corridas, os passeios de bicicleta, as caminhadas e até as refeições feitas com mais cuidado estão cada vez mais presentes na vida dos portugueses.

Neste sentido, entre as aplicações mais descarregadas para telemóvel no ano que passou estão as que pertencem à categoria de bem-estar. Por exemplo, a Apple, que já fez o balanço de 2018, garante que as escolhas que mais se destacaram ao longo dos últimos meses vão de aplicações para aprender a meditar a apps que ensinam a sermos pessoas melhores, para nós e para os outros. Até aqui, as preferidas costumavam ser as que ajudavam a contar calorias, ensinavam a treinar em casa e até monitorizavam o ritmo cardíaco ou a tensão arterial, mas em 2018 as que ganharam mais espaço foram as que se dedicam também ao bem-estar em geral.

Judson Brewer, psiquiatra da Universidade de Brown, deixa claro que “é certo que se pode aprender muito com livros e terapeutas, mas as apps ajudam-nos com treinos diários curtos, um bocadinho todos os dias”.

A verdade é que há cada vez mais aplicações e servem todos os propósitos e todos os gostos. Vão de gratuitas a pagas e abrangem praticamente todas as intenções. Mais: Quando não existem, alguém as cria. Foi o que aconteceu a Elle Huerta. Esta programadora viu-se confrontada com o fim de um relacionamento de mais de 20 anos. Procurou ajuda na internet, mas não encontrou mais do que conselhos que de pouco lhe serviram. Foi então que decidiu criar uma aplicação para ajudar quem passa por separações dolorosas.

A “Mend: Self Care For Breakups” pretende, de acordo com a programadora, transformar separações em oportunidades de crescimento. Mais do que uma situação para superar, a aplicação pretende ajudar as pessoas a verem nas separações uma forma de repensar e revalidar a vida.

Entre as aplicações mais procuradas e mais descarregadas estão ainda as que ajudam a ter uma vida melhor através de técnicas de respiração e de meditação. Sara Lazar, professora de psicologia de Harvard, estuda o modo como a meditação muda o cérebro e não esconde que as aplicações deste género têm a sua importância. “É possível iniciar a sessão e ter mais 100 mil pessoas a meditar. Essa sensação de comunidade só existe nas apps”.

A verdade é que, nos últimos anos, os portugueses têm vindo a despertar para a necessidade e vantagens de optar por um estilo de vida com maior equilíbrio físico e emocional. Já em 2016, um estudo da Nielsen mostrava que os portugueses demonstravam, por exemplo na escolha de produtos alimentares, preocupações com a saúde superiores às da média europeia. De acordo com este estudo, já nesta altura, 35% dos portugueses praticavam dietas que limitavam ou proibiam o consumo de açúcar e 32% o consumo de gordura (contra uma média europeia de, respetivamente, 22% e 20%).

Um estudo da Kantar Worldpanel, publicado no final do ano passado, mostrava como os consumidores portugueses estão muito mais exigentes nesta matéria. Os produtos designados como ‘saudáveis’ faziam já parte da escolha de 78% dos lares.

“O ‘saudável’ é, atualmente, um dos principais elementos de dinamização do mercado, podendo mesmo falar-se do emergir de um ‘novo saudável’, assente em lares mais jovens e na apetência para o consumo de novos alimentos e ingredientes”, explica Blandine Meyer, da Kantar Worldpanel.

 

Desporto conquista nos últimos anos Além das apps retemperantes e de um maior cuidado com a alimentação, os portugueses optam cada vez mais por investir na atividade desportiva. Mas é preciso não esquecer que cuidar mais da saúde pode trazer custos associados. O Observatório Cetelem avaliou as despesas relacionadas com a prática de exercício físico e deixou claro que, em média, os portugueses gastam hoje 200 euros por mês.

E as contas são relativamente fáceis de fazer. No ginásio, os portugueses dizem gastar entre 20 a 40 euros de mensalidade, numa média de 33 euros por mês. Importa sublinhar que 44% dos inquiridos indica que faz exercício ao ar livre, não tendo estes gastos.

Outra despesa associada à prática de exercício físico é um seguro, que custa em média 58 euros por mês – ainda que só 51% dos inquiridos admita investir nesta proteção. Maiores são os gastos com acessórios: é referido um gasto anual de 146 euros (cerca de 12 euros por mês) em vestuário e calçado desportivo. A isto acresce o valor de produtos saudáveis que no caso dos praticantes de desporto muitas vezes é mais caro (chega a subir para uma média de 114 euros).

O mesmo estudo – que recolheu respostas de 600 indivíduos em Portugal continental, entre os 18 e os 65 anos –, indica que a faixa etária entre os 18 e os 44 anos é a que tem mais adeptos de atividades físicas (cerca de 63%).

 

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