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José Cabrita Saraiva 08/01/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Estará a nossa democracia assim tão frouxa?

A entrevista de Mário Machado a Manuel Luís Goucha na TVI, em que o líder do movimento Nova Ordem Social defendeu a necessidade de um novo Salazar, provocou uma espécie de histeria coletiva. Como que acionados por uma mola, os zelosos e autoproclamados defensores da democracia saltaram para as redes sociais e fizeram uma demonstração eloquente da sua noção de tolerância, atacando a TVI por “dar tempo de antena a um antigo condenado, racista e xenófobo”.

Não é fácil compreender o porquê de tamanha onda de indignação: nos dias que correm, pode-se chamar palhaço ao Presidente; achincalhar a Igreja e os seus seguidores; acicatar o ódio entre clubes de futebol ao longo de horas; mostrar todo o tipo de violência e obscenidade em direto; preencher tardes inteiras com emissões inenarráveis de cantorias e donzelas descascadas. Com tantos imbecis encartados que falam na TV, porque não há de Machado poder dizer o que pensa, desde que não insulte ninguém e não apele ao ódio?

Escapando à onda de histeria, João Miguel Tavares escreveu no “Público” que não há problema em deixá-lo falar, uma vez que presta um mau serviço à sua causa. “De cada vez que Machado fala, como facilmente comprovará quem tenha assistido à conversa com Goucha, a causa nacionalista afunda-se mais um pouco.” Pois eu diria - mais na linha de Pacheco Pereira, também no “Público” - que mesmo que Machado fosse sólido e convincente a argumentar, devia ter direito a discutir as suas ideias - desde, lá está, que não ofendesse nem apelasse à violência.

Mas a maioria parece ter uma opinião diferente. Nem o ministro da Defesa, imagine-se, quis ficar de fora da polémica, e acusou a TVI de ter uma atitude incendiária.

A pergunta simples que se coloca é esta: porque têm tanto medo do homem? As críticas que li falam da ameaça que os novos movimentos de extrema-direita representam. Mas estará a nossa democracia assim tão pouco confiante e tão frouxa que se sente ameaçada por um movimento que eleitoralmente deverá andar abaixo de 1%? Seja como for, uma coisa parece certa: esta vontade de silenciar o representante de um movimento político, seja ele Mário Machado ou outra pessoa qualquer, não é certamente uma demonstração de força

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