20/3/19
 
 
Luís Newton 09/01/2019
Luís Newton
Opinião

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Contradições dignas do diabo

Depois de ler os últimos comentários da Dra. Manuela Ferreira Leite sobre o posicionamento que ela considera indicado para o PSD, fiquei estarrecido com esta sua vontade em reescrever toda a história do PSD (inclusive a sua).

Já em janeiro de 2018, quando afirmou que o “PSD deve vender a alma ao diabo para por a esquerda na rua”, tinha ficado perplexo, sem compreender o que a havia possuído para transmitir aos portugueses que mais importante que um bom projeto para Portugal, era o de retirar a esquerda do poder a todo o custo.

Em política, como na vida, sempre acreditei que o que nos deve reger nunca são sentimentos negativos, mas sim ideais e projetos positivos. 

Na altura até senti que Ferreira Leite estava a ser um pouco radical, com um discurso menos digno do centro-direita e mais próximo da extrema direita. 

Um discurso menos construtivo e mais de ódio, muito em linha com outras declarações extremistas como aquelas que proferiu em 2008 enquanto Presidente do PSD, em que afirmava a necessidade de suspender a democracia por seis meses. 

Em suma, garantidamente nunca um discurso de centro (tradicionalmente mais disponível para governar com a esquerda ou com a direita).

Agora, afinal, já não é importante “por a esquerda na rua”, nem sequer o PSD ter um projeto para conquistar a confiança dos portugueses. Agora, afinal, o PSD até pode perder desde que se reduza a algo que nunca foi a sua identidade.

Numa altura em que uma certa esquerda entende que é mais relevante vestir calções de licra aos touros do que reconhecer as legitimas expectativas de algumas classes profissionais (ex: professores) que tanto abdicaram para ajudar o País a recuperar da mesma bancarrota em que essa mesma esquerda nos tinha conduzido, vêm figuras de referência desta Direção Nacional (primeiro Paulo Mota Pinto e agora Manuela Ferreira Leite) centrar o discurso do PSD nesta batalha ideológica interna.
Para isto mais valia juntarem-se ao debate do velcro…

Ninguém entende esta questão ideológica como central para a Sociedade Portuguesa, mas tenho necessidade de partilhar com todos os leitores que a doutrina ideológica fundacional do PSD é de centro direita. Convido que o confirmem em http://www.psd.pt/introducao.php 
Mas abandonemos o debate ideológico e sejamos pragmáticos e factuais:

Em primeiro lugar não podemos dizer que o PSD é de centro esquerda ou de centro quando as nossas formações políticas têm sido em parceria com a Fundação Konrad Adenaur (a última das quais em outubro de 2018 – já com Rui Rio a liderar).

E depois, mais importante, não compreendo como essa é uma matéria central para o Presidente do Partido. Um Homem que tem as suas próprias origens políticas liderando vitórias no centro direita.
Certamente que ele está recordado que ganhou as suas primeiras autárquicas em 2001 coligado com a direita, assim como em 2005 e em 2009. Não foi o centro esquerda que se reviu na sua governação, foi o centro direita.
E se há dúvidas da governação centro direita, basta recordar as políticas do Ministério da Educação do XII Governo Constitucional, ou para as políticas do Ministério das Finanças do XV Governo Constitucional, que tinham Ferreira Leite como Ministra.
O PSD tem de estar focado no País e não no PSD.

O início do mandato de António Costa conheceu expansão económica, não por resultado das suas políticas (que ainda nem sequer tinham começado), mas por consequência do caminho que os Portugueses tinham, com dificuldade, trilhado entre 2011 e 2015. E agora?

Agora o PS governou estes anos esbanjando todo o esforço que os Portugueses fizeram, levando à estagnação do crescimento económico e a sucessivos recordes de dívida pública. 

E a mensagem que a Líder Espiritual do atual Presidente do PSD tem para os portugueses é: mais vale perder para podermos ser este pequenino PSD acantonado a um novo centro ideológico.

O pior é que pode dar a ideia que na realidade a direção nacional do PSD se prepara para mentalizar os militantes para uma enorme derrota eleitoral, quando devíamos estar a mobilizar para uma vitória esmagadora nas legislativas de 2019. 

O Presidente do Partido conta com todos na mesma medida em que valorizar as diferenças que nos afastaram. Não tem de adotar linhas programáticas que não foram as que o levaram à vitória nas diretas do Partido, mas não pode achincalhar uma maioria do PSD.

Daqui resulta claro que o Presidente do PSD pode escolher quem o rodeia, mas não é o Presidente do Partido que define quem é Social Democrata ou não.

O maior exemplo de liderança não é mobilizar esta ou aquela fação, mas sim mobilizar a Nação.
Quero que ele seja o próximo Primeiro Ministro de Portugal e espero que ele saiba reconhecer que é na abrangência do PSD que reside a nossa maior força e que se acabe com estas contradições dignas do Diabo.

 

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