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PSD. Montenegro apresenta hoje candidatura à liderança no CCB

PSD. Montenegro apresenta hoje candidatura à liderança no CCB

Bruno Gonçalves Luís Claro 11/01/2019 09:51

Montenegro cedeu às muitas pressões para derrubar Rui Rio e quer eleições o mais depressa possível. Apoiantes do atual líder acusam críticos de quererem destruir o partido

Desta vez é mesmo para levar a sério. A crise está instalada no PSD e os críticos estão a fazer tudo para antecipar o congresso. O primeiro passo para a realização de eleições diretas antecipadas será dado hoje, às 16 horas, por Luís Montenegro.

O ex-líder parlamentar escolheu o Centro Cultural de Belém para apresentar a candidatura à liderança e desafiar Rui Rio para a realização de eleições internas o mais depressa possível, ou seja, antes das europeias.

O desafio lançado por Montenegro surge depois de ter sofrido muitas pressões para avançar com o argumento de que o PSD está a tornar-se um partido “irrelevante” e a caminhar para um desastre eleitoral. “Todos sabemos que ter menos de 20% pode ser irrecuperável e ninguém quer esse risco”, diz ao i um deputado social-democrata, que classifica a liderança de Rui Rio como uma “desilusão”. 

Os contactos entre os opositores de Rui Rio intensificaram-se nas últimas semanas com o objetivo de antecipar as eleições internas. Estão já reunidas as assinaturas necessárias para a convocação de um conselho nacional extraordinário que discutirá a queda da atual direção. 

Pedro Pinto, presidente da distrital de Lisboa, foi um dos mais ativos neste processo e defendeu ontem que é possível realizar uma reunião do conselho nacional em menos de uma semana e o congresso em 45 dias. Ao lado de Luís Montenegro estão os presidentes das distritais de Setúbal, Santarém, Coimbra e Viseu. 

Pedro Duarte, ex-líder da JSD, também alinha com os que defendem a antecipação das eleições diretas. “Tem de haver uma clarificação interna”, defendeu, no seu habitual comentário na RTP. Duarte foi o primeiro a defender que o partido deve mudar de estratégia e de líder. Para o ex-líder da JSD, que está a ponderar apoiar Montenegro, o partido “está a caminhar para alguma insignificância política”, porque se limita a ser “um suporte do PS”. 

A mesma expressão foi utilizada por Carlos Abreu Amorim, ex-vice-presidente do grupo parlamentar, que alerta para o risco de o PSD passar “à irrelevância política”.

“Destruir o partido” A concretizar-se a antecipação das diretas Luís Montenegro poderá não ser o único candidato. Miguel Morgado, um dos deputados do PSD mais ligados ao passismo, garantiu ontem que levará “muito a sério a possibilidade” de se candidatar. Miguel Pinto Luz foi mais cauteloso e rejeitou contribuir para “divisionismos” no PSD. 

A antecipação das eleições diretas mereceu duras críticas dos apoiantes de Rui Rio. O histórico do PSD Ângelo Correia considerou, em declarações à TSF, que a postura dos críticos é “incompreensível” e só se explica com “uma violenta e doentia sede de poder que na prática vai destruir o partido”.

Ao i, Guilherme Silva, ex-líder parlamentar do PSD, concorda com a ideia de que uma disputa interna nesta altura poderá contribuir para “piorar” a situação do PSD. “Não é o momento para discutir a liderança e não me parece que seja isso que o partido deseja. Vejo este tipo de iniciativas com alguma tristeza”, diz o ex-deputado social-democrata. 

A precipitação da disputa interna também não agrada a alguns dos que estiveram do lado de Santana Lopes nas últimas eleições internas. João Montenegro defendeu que “a três meses das europeias, haver este tipo de movimentações não contribui em nada para unir”. o PSD. 

Rui Rio não deverá facilitar a vida aos críticos. O mais certo é não alinhar com a pretensão de antecipar as diretas. Numa das muitas intervenções que fez sobre a oposição interna, em setembro, o presidente do partido deixou claro que vai “cumprir o mandato até ao último minuto”. 

Os calendários eleitorais são tudo menos favoráveis á abertura de uma crise interna. Com as eleições marcadas para dia 26 de maio a realização de um congresso extraordinário poderá cair em cima do processo de preparação das europeias. Depois restam pouco mais de quatro meses para as eleições legislativas. 
 

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