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Páscoa. Como seria a última ceia de Cristo se fosse cozinhada por um português?

Páscoa. Como seria a última ceia de Cristo se fosse cozinhada por um português?

Joana Marques Alves 11/04/2019 19:46

O canal História desafiou o chef Rui Paula a criar o menu ideal para a sétima edição de A Última Ceia. O documentário sobre o processo criativo por detrás destas criações estreia amanhã.

Será que Jesus Cristo comeu carne na última ceia? Que tipo de pão dividiu com os apóstolos? Todos beberam vinhos? Ninguém sabe o que foi servido naquele dia e cada um criou no seu imaginário o menu da última refeição de Jesus antes de ser crucificado. O chef Rui Paula decidiu misturar essas ideias com algumas tradições portuguesas e criou uma versão mais moderna e criativa deste momento bíblico.

Desafiado pelo canal História, o chef portuense criou uma refeição com cinco pratos - couvert, entrada, dois pratos principais e sobremesa - que representassem a sua versão de A Última Ceia, nome dado ao documentário que será emitido a partir de dia 12, com repetições até à Páscoa. Rui Paula junta-se assim a nomes como Henrique Sá Pessoa e Vítor Sobral, que participaram nas edições anteriores desta iniciativa.

“Decidimos apostar este ano no chef Rui Paula para fazer esta reinterpretação na sétima edição, pelo seu percurso, conhecimento e gosto pela cozinha e não poderíamos estar mais satisfeitos com a sua proposta de ementa que combina a tradição com a inovação, através das técnicas modernas e criativas utilizadas. Os sabores e texturas são surpreendentes”, afirma Carolina Godayol, diretora geral do The History Channel Ibéria. “Quisemos também este ano oferecer esta experiência única aos portuenses. É a primeira vez que o menu de A Última Ceia está disponível num restaurante no Porto, até então, só o tínhamos disponibilizado nas edições anteriores, nos restaurantes dos chefs, em Lisboa”, acrescentou.

Além das influências históricas - o uso de especiarias, do pão e do vinho -, Rui Paula quis incluir “o mar, o Porto, as minhas raízes”. E é exatamente pela tradição que começa esta degustação. O pão torrado na grelha pincelado com lardo fumado traz à memória o cheirinho dos fornos a lenha, do carvão a queimar, do resto das brasas que ficam a arrefecer já no final da refeição. “Era a minha avó que grelhava o pão. Isto tem sabor a casa”, recorda o chef. O sabor fumado dá uma nova dimensão ao pão que, segundo a Bíblia, Jesus dividiu com os apóstolos: “Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. 

Rui Paula, responsável pelos restaurantes DOC, DOP e Casa de Chá da Boa Nova, fez do peixe o herói desta ceia. Logo para entrada, o chef escolheu lírio dos Açores e tutano. “Fui buscar a salmoura e o fumado como método de conservação de antigamente, utilizando a técnica associada ao fumeiro”, explica Rui Paula.

Segue-se uma feijoada de tripas de bacalhau. O sabor a feijão surge num puré aveludado, que contrasta com as tripas, as lascas e o molho de bacalhau. Um prato salgado em que a simplicidade dos sabores portugueses traz à memória os almoços em família, a união à volta da mesa.

O robalo ao sal com algas servido com uma salada de batata, azeitona, feijão-verde, ovo e ervas finas destaca-se pela pureza dos sabores. O chef fez questão de explicar que o peixe - cozinhado numa crosta de sal e ‘recheado’ com algas - não leva nenhum tempero a não ser a camada que o envolve quando vai ao forno. “Rústico”, “histórico” e “simplicidade” são termos usados por Rui Paula para descrever este prato, que vence precisamente pelos sabores simples e familiares.

“Da mesma forma, depois da ceia tomou o cálice e disse: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto em memória de mim’”, lê-se na Primeira Epístola aos Coríntios. Tendo em conta a importância do vinho tanto na última ceia como na cultura portuguesa, Rui Paula criou o final perfeito para esta degustação, com uma sobremesa de frutos secos e sorvete de vinho. “Esta bebida é uma referência na última ceia - com a transformação da água em vinho - e nas sobremesas judaicas, tal como as nozes e o pistáchio”, explica o chef. Ao contrário dos pratos anteriores, esta é uma sobremesa complexa, com dezenas de combinações de sabores que vão desde as uvas ao mel, do caramelo à granola, sempre com o sabor do vinho como pano de fundo.

Este menu de degustação estará disponível na Casa de Chá da Boa Nova de 16 a 20 de abril, por 120 euros. “Se Jesus estivesse nesta casa a comer estes pratos, morreria feliz”, garante Rui Paula.

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