27/5/19
 
 
Vítor Rainho 10/05/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Ordenados de miséria hão de trazer revolta

Os motoristas de matérias perigosas estão em luta, era assim que se dizia antes da geringonça, e não estão pelos ajustes: pedem mais 500 euros para juntar aos 630 mensais que recebem.

A todas as outras classes pode parecer uma enormidade este aumento, mas a reivindicação dos homens que transportam bombas ambulantes veio pôr a nu como este país anda a várias velocidades. Como é possível estes profissionais só ganharem 630 euros quando têm nas mãos uma responsabilidade tão grande? É certo que não transportam pessoas, mas levam matérias perigosas que, em caso de acidente, podem ser fatais para dezenas de pessoas que estejam nas proximidades.

Por muito que os grandes empresários protestem quanto à impossibilidade de aumentarem o salário mínimo, é óbvio que os portugueses, regra geral, ganham miseravelmente, e a história dos camionistas só vem demonstrá-lo de uma forma cristalina. Um país que tem mais de dois milhões de pobres em dez milhões só pode ser uma nação triste. Falta uma cultura de justiça social a muitos empresários e ao Estado. É óbvio que a lei do trabalho também impede uma maior flexibilização dos ordenados, pois todos sabemos que há quem ganhe muito mais do que produz. Seja no Estado ou no privado.

Quando se vai a um supermercado ou a uma repartição de finanças – e podíamos falar de todas as outras áreas – não é difícil perceber que há quem queira trabalhar bem e há quem queira andar a pastar e receber o seu ordenado ao fim do mês, ignorando que a sua falta de profissionalismo impede as empresas e o Estado de avançarem. Mas um dos problemas deste país – a tal lei do trabalho – é que há quem seja premiado apenas pelos anos de casa, independentemente do seu profissionalismo. Uma pessoa que esteja há anos no Estado, e aqui podemos falar dos professores como exemplo, pode ser um péssimo profissional mas sabe que, quando atingir um determinado número de anos de serviço, será promovido. Isto faz algum sentido? Mas lutemos por melhores profissionais e melhores salários. Um camionista competente, sem percalços, merece ter o mesmo salário que um incompetente?

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