27/5/19
 
 
António Luís Marinho 10/05/2019
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Isto é que vai uma crise!

Dá vontade também de recordar a expressão do saudoso Fernando Pessa: “E esta, hein?”

“Para ser persuasivo, é preciso ser confiável. Para sermos confiáveis, devemos ser credíveis. Para sermos credíveis, devemos ser verdadeiros”

Edward R. Murrow

 

Senhoras e senhores, está oficialmente aberta a época da crise política!

Foi o primeiro-ministro quem a inaugurou solenemente, ao declarar que o Governo se demitiria se o diploma que prevê a reposição do tempo total de serviço dos professores – congelado de 2005 a 2007, descongelado entre 2008 e 2010, e de regresso ao congelador de 2011 a 2016 – fosse aprovado nos termos sufragados na comissão parlamentar de Educação por uma tão expressiva quanto estranha maioria: PSD, CDS, PCP e BE.

Dá vontade de recordar a expressão do saudoso Fernando Pessa: “E esta, hein?”

E o que foi aprovado naquela comissão? A contagem do tempo integral congelado nas carreiras dos professores, contabilizado nos já famosos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

“Vitória!”, gritou Mário Nogueira, o sindicalista que há anos vem infernizando a vida a uma série de primeiros-ministros e ministros da Educação.

“Vitória!”, gritaram os partidos da estranha coligação.

“Oh insensatez!”, clamaram os socialistas, sozinhos e abandonados naqueles corredores do Parlamento.

Na sequência deste tumulto, o primeiro-ministro anunciou que se demitiria se o diploma fosse aprovado na Assembleia da República, como tudo faria crer.

E começou a guerra dos números.

Sem impacto no Orçamento deste ano, afirmava a “coligação”.

“Mentira!”, respondiam o chefe do Governo e o ministro das Finanças.

A medida custa mais 635 milhões por ano, garantia o Governo.

“Mentira”, respondiam, um a um, PSD, CDS, PCP E BE.

Os sindicatos, por seu turno, avançaram com outras contas e lembraram também que há impostos a pagar – isto é, devolução de dinheiro ao Estado –, pelo que se ficam pelos 300 milhões.

No meio desta salgalhada política, PSD e CDS dizem agora que só aprovam o diploma se ele integrar o artigo, que tinham deixado cair na comissão, que condiciona a reposição à sustentabilidade financeira do país.

Na prática, um recuo, face à ameaça de António Costa.

Nesta verdadeira encenação trágico-cómica, surge agora Mário Nogueira zangado com o seu partido, o PCP, pelo facto de os comunistas terem anunciado que não vão mudar de posição e vão votar contra a introdução do artigo proposto por PSD e CDS.

Para o sindicalista, seria melhor deixar o diploma ser aprovado com aquele “travão” do que acabar por ser chumbado.

A política à portuguesa em todo o seu esplendor.

 

Jornalista

 

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