27/5/19
 
 
Vítor Rainho 14/05/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Beijinhos, ameaças e o regresso de Jorge Coelho

É engraçado perceber como uns estão mais à vontade do que outros no trato pessoal com feirantes e demais visitantes dos mercados

As campanhas eleitorais são um motivo de divertimento para quem as vê de fora. São sempre um remake das últimas e levam-nos de novo ao fantástico mundo dos beijinhos nas feiras. Depois é engraçado perceber como uns estão mais à vontade do que outros no trato pessoal com feirantes e demais visitantes dos mercados. Não há muitos anos, um dos políticos mais carismáticos do país não prescindia de um frasco de álcool no carro para se limpar sempre que acabava uma sessão de troca de carinhos com os eleitores.

Mas neste arranque de campanha - é uma parvoíce total dizer que a mesma só começou ontem -, no domingo, tivemos aquele que ficará como um dos momentos das europeias de 2019. Jorge Coelho, que veste a pele de senador num programa televisivo, quando chamado ao palco do candidato do seu partido - será que Pedro Marques existe? É que só vemos António Costa - transfigura-se. O senador dá lugar ao patusco Coelhone e o homem dispara em todas as direções. Já se sabe que sentenciou que quem se mete com o PS leva, mas desta vez ficámos a saber que os malandros do CDS e do PSD não se preocupam com as contas públicas do Estado e que têm de ser “punidos”. Tudo isto dito com aquele vozeirão a que Jorge Coelho nos habituou. Tenho pela figura bastante simpatia - construída quando desempenhou o cargo de ministro da Administração Interna -, mas o antigo ministro é bem o espelho das campanhas eleitorais. Muita gritaria, muitos beijinhos, muito folclore, mas muito pouca substância. Tanto assim é que até o primeiro-ministro optou por fazer desta campanha eleitoral uma rampa de lançamento das legislativas, deixando o seu candidato às europeias numa situação de ajudante de ajudante. Quando se esperaria que todos os candidatos dissessem de sua justiça sobre a Europa - já agora, porque não falarem do escândalo dos ordenados dos eurodeputados? -, quase todos seguem a batuta de Costa e falam nesta campanha como se já estivessem a ganhar votos para as legislativas. Há uma ou outra exceção, mas é tudo muito poucochinho.

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