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CGD. Investifino diz que não tem “meios financeiros” para pagar dívida

CGD. Investifino diz que não tem “meios financeiros” para pagar dívida

Jornal i 14/05/2019 17:01

Em causa está uma dívida de 280 milhões ao banco público. José Manuel Fino diz que património que deu está relacionado com ações do Cimpor, do BCP e da Soares da Costa, daí esta em incumprimento. 

O administrador da Investifino José Manuel Fino – que também é filho do empresário Manuel Fino – garantiu que a sua empresa não tem “meios financeiros” para pagar a sua dívida à Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em causa está uma dívida de 280 milhões ao banco público. “Não há meios financeiros para a pagar”, referiu ontem durante a sua audição e do irmão na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco público.

O empresário revelou ainda que a Investifino “não tem mais património do que deu como garantia à Caixa”, daí a sua atual situação ser de incumprimento. Este património está realcionado sobretudo com ações da Cimpor que foram entretanto vendidas, ações do BCP que sofreram forte desvalorização e ainda da construtora Soares da Costa, empresa que está atualmente em fase de reestruturação.

Uma das soluções apresentadas por José Manuel Fino para pagar a dívida à Caixa passava pela “alienação da participação na Cimpor”, no entanto, segundo o administrador “não era essa a vocação industrial do grupo”. O filho de Manuel Fino disse ainda que estava a ser estruturada uma reestruturação e “uma abertura de capital de subsidiárias internacionais, que permitiria o pagamento de dividendos extraordinários aos acionistas sem pôr em causa o futuro da Cimpor”.

Critica venda de ações

O responsável foi mais longe e considerou que a venda das ações da cimenteira pela Caixa levou ao incumprimento do serviço de dívida. A forma “totalmente imprevista e inusitada” como a CGD “decidiu imediatamente vender” ações da Cimpor em consequência da OPA da Camargo Corrêa, “apesar do preço baixo oferecido”, não permitiu à Investifino cumprir os seus compromissos com o banco público. 

José Manuel Fino sugeriu ainda que a colocação em bolsa de 49% da subsidiária brasileira [da Cimpor] daria um encaixe próximo de mil milhões de euros. “Aquilo que nos restou foi aquilo que manda o bom senso. É vender. Não iríamos ficar no mercado com uma posição de 10%, isolados”, disse o responsável em resposta ao deputado do PS Fernando Anastácio.

O empresário disse ainda não ter “entendimento para aquilo que se passou a 31 de março de 2012 [OPA da Camargo Corrêa à Cimpor]”, mas que podia “tirar algumas ilações de coincidências que se passaram desde 2010 até hoje”, acrescentando que “quando a esfera de poder se transfere para fora de quem são os responsáveis pela criação de valor, é difícil”, disse sobre a passagem de poder para fora da Cimpor, acrescentando que “não havia uma leitura correta sobre o valor” da cimenteira.

“Caso tivesse mantido a possibilidade de recompra das ações da Cimpor, negociada com a CGD, a Investifino teria reduzido a sua exposição à Caixa em pelo menos 50 milhões de euros”, defendeu. 

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