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Comendas e encomendas

Comendas e encomendas

José Cabrita Saraiva 16/05/2019 08:05

Poderia ser uma espécie de adivinha ou charada. O que têm em comum Zeinal Bava, Armando Vara, Jorge Ritto, Valentim Loureiro e Carlos Cruz? A resposta mais imediata seria esta: trata-se de figuras proeminentes da nossa praça que viram os seus nomes envolvidos nos mais diversos escândalos – financeiros, de corrupção e até de pedofilia. 

Outra resposta possível é que todos eles receberam condecorações do Presidente pelos serviços prestados à República.

Claro que a posteriori é fácil dizer que não mereciam tais condecorações. Hoje sabemos que Carlos Cruz esteve preso por pedofilia no âmbito do escândalo Casa Pia; que Ritto só não foi preso, como Cruz, porque os crimes já tinham prescrito; que Valentim Loureiro foi condenado a pena suspensa no Apito Dourado; que ainda recentemente Vara deu entrada na prisão de Évora, a mesma onde esteve detido o seu amigo José Sócrates, por causa do Face Oculta; e que Zeinal Bava recebeu transferências no valor de cerca de 17 milhões de euros, oriundos do saco azul do BES, numa conta de Singapura, e outros oito milhões numa conta na Suíça. Que bela encomenda nos saiu o outrora menino-prodígio da PT! Antes de estalar a polémica, fora distinguido com um doutoramento honoris causa pela Universidade da Beira Interior, numa sessão solene em que vestiu toga e usou um chapéu curioso. Pouco tempo depois concluíamos que, afinal, quem enfiou o barrete fomos nós.

Vem isto a propósito de um self-made man madeirense que enriqueceu na África do Sul, regressou a Portugal e investiu em arte e na banca. Recebeu o grau de comendador em março de 1983 e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 2004. Entre 2003 e 2008 contraiu empréstimos à banca_dos quais ainda deve cerca de 1000 milhões. Diz não ter condições para pagar, mas aparentemente continua a viver à grande e à madeirense.

Por causa da sua conduta, Berardo pode vir a perder a sua condecoração, caso o conselho das Ordens Honoríficas assim o decida. Mas melhor ainda seria que nunca lha tivessem atribuído. Talvez sirva de lição, para que no futuro as condecorações não sejam distribuídas a torto e a direito, como se estivessem a preço de saldo.

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